14/03/12

À poesia, pelo seu dia!


um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

08/03/12

DIA DA MULHER



Hoje é um dia especial, pois comemoramos o dia da mulher. Esqueçamos da tragédia que originou a confraternização para que possamos comemorar as conquistas que vieram a partir daí. Deixemos de lado a imagem sofredora e associemos a elas a coragem, a alegria, o carinho, a beleza, o profissionalismo, a superação...
........................................................................................................................................................

Hoje, a partir das 20h, em frente às Estação do Conhecimento, todas as mulheres estarão sendo homenageadas, por intermédio da coletânea "Infinitamente Mulher", que reúne contos, crônicas e poesias de autoras santiaguenses. Na oportunidade, as participantes da obra também receberão o título "Mulher Nota Mil", numa promoção da Casa do Poeta e do Centro Materno Infantil.
Participe!
....................................................................................................................................................................

"As vezes penso que a natureza da mulher é como uma grande casa da muitos cômodos: existe o hall, através do qual qualquer um passa em suas idas e vindas; a sala de visitas, onde se recebe formalmente; a sala de estar, que os membros da familia frequentam quando estão à vontade; mas além disto, muito alem, existem outros cômodos, as fechaduras de portas que jamais são abertas; ninguém sabe o caminho para estas, ninguém sabe aonde elas levam; e no cômodo mais íntimo, no mais sagrado, o espírito está sozinho e espera ouvir passos que jamais virão."
Edith Wharton

28/02/12

Para ler Emily Dickinson no escuro


Para as assombrações, desnecessária é a alcova,
Desnecessária, a casa -
O cérebro tem corredores que superam
Os espaços materiais.

Mais seguro é encontrar à meia- noite
Um fantasma,
Que enfrentar , internamente,
Aquele hóspede mais pálido.

Mais seguro é galopar cruzando um cemitério
Por pedras tumulares ameaçado,
Que ausente. a lua, encontrar-se a si mesmo
Em desolado espaço.

O "eu", por trás de nós oculto,
E muito mais assustador,
E um assassino escondido em nosso quarto,
Dentre os horrores, é o menor.

O homem prudente leva consigo uma arma
E cerra os ferrolhos da porta,
Sem perceber o outro espectro,
Mais íntimo e maior.

Emily Dickinson 

O que pode ser mais assombroso que a nossa consciência?
Esse cabide de máscaras, sempre ao nosso dispor?
Escondendo nossos desejos, nossas vontades?


E.D, na clausura de sua vida, expressou muito bem e, em versos brancos, essa luta interna: entre o que parece ser e o que é.

23/02/12

Vinho e Rosas

Na serra gaúcha, além dos vinhedos e curvas muitas rosas. Aliás, ao pé de cada videira, uma roseira. Uma boa estratégia para que o néctar dos deuses não seja roubado antes de ir para a garrafa. Às abelhas, o suco das rosas. Para nós, taças transbordantes, não só de vinho, mas de beleza.

09/02/12

Embriaguez


Depois de um porre de estrelas, a náusea da manhã. Andar pela luz ofuscante do dia, sem a mínima direção. Os joelhos doem. O estômago regurgita o verde de tantos sapos. Fugir. Fingir. Esquecer. Nessas três palavras a fórmula do remédio. Inútil placebo. Como ver sob as lentes esfumaçadas a promessa de um dia de chuva (que nunca chega). O cinza fica por conta dos nossos olhos. Nem por isso, o sol deixa de abrasar as ruas, os corpos que transitam sobre elas (corpos brônzeos, cheios de escamas nesta época infernal). Precisamos fugir desse sol. Dessa verdade chamuscante. Queremos conservar a brancura simbolista. A ilusão pessimista de que a maioria já se dá conta do caos. Mas, não. As escamas só aparecem aos nossos olhos. São frutos da nossa embriaguez. Precisamos fingir que não vemos. Fazer parte disso. Inventar nova carapaça. Uma couraça mais flexível, talvez. Que nos dê o passe livre entre as multidões - refletoras desse sol que nos quer derreter. Precisamos nos esquecer de quem somos. Da liga de que somos feitos. São dias inteiros preparando essa cura. Pitadas de fugir. Doses de fingir. Pedaços de esquecer. Até que chegue a noite. Até que possamos encher novamente o copo de estrelas, transbordar nosso sonho em outras dimensões e vomitar novas manhãs.

02/02/12

Escrever?


Estou vivendo um "brake criativo". Completamente sem inspiração para escrever.

27/01/12

Livre para fracassar





escritor e seus múltiplos vem vos dizer adeus.
Tentou na palavra o extremo-tudo

E esboçou-se santo, prostituto e corifeu. A infância

Foi velada: obscura na teia da poesia e da loucura.

juventude apenas uma lauda de lascívia, de frêmito

Tempo-Nada na página.

Depois, transgressor metalescente de percursos

Colou-se à compaixão, abismos e à sua própria sombra.

Poupem-no o desperdício de explicar o ato de brincar.

A dádiva de antes (a obra) excedeu-se no luxo.

Caderno Rosa é apenas resíduo de um "Potlatch".

E hoje, repetindo Bataille:

"Sinto-me livre para fracassar".



Hilda Hilst