
A descrição nada mais é do que uma fotografia da vida. Claro, uma fotografia que penetra além da realidade, na alma das coisas. Um mestre nessa arte foi o escritor Honoré de Balzac.
Veja a belíssima fotografia que Balzac faz da mulher de 30 anos:
“Essa mulher, envelhecida antes do tempo, seria um quadro curioso para um poeta que passasse pelo bulevar. Ao vê-la sentada à fraca sombra de uma acácia, ao meio-dia, qualquer pessoa poderia ler uma das mil coisas estampadas naquele rosto pálido e frio, apesar dos raios quentes do sol. Seu rosto expressivo representava qualquer coisa de mais grave que uma vida em declínio, ou de mais profundo que uma alma curvada pelo peso da experiência. Era uma dessas fisionomias que, entre mil desdenhadas por serem desprovidas de caráter, nos atraem durante um momento, nos fazem pensar; como, entre os inúmeros quadros de um museu...”
Observe agora um trecho, do mesmo romance, em que ele descreve uma paisagem:
“Acima dele, uma imensa coluna de fumo pairava como uma nuvem escura, e os raios do sol, perfurando-o aqui e ali, davam-lhe poéticos clarões. Era um segundo céu, uma cúpula sombria sob a qual brilhavam espécies de lampadários e acima da qual planava o azul inalterável do firmamento, que parecia inúmeras vezes mais belo por essa efêmera aparição. As cores bizarras dessa fumaça, ora amarela, dourada, vermelha, negra, fundidas vaporosamente, cobriam o navio, que estalava, rangia e chiava”.

1 comentários:
J'adore!
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